Nessas idas e vindas mundo a fora, sempre tentei construir uma base solida, um porto seguro. Quando se mora ha anos sozinha, sem familia, vamos construindo familia onde passamos. Por estrategia, sempre tento frenqüentar os mesmos lugares, criar vinculos emocionais.
Desta maneira, eu frenqüento os mendingos de onde eu moro, a caixa do supermercado, a sala do funcionario da universidade, por ai vai...
Ha alguns meses, fui em um restaurante com duas amigas perto do Pathéon (Sorbonne) onde estudo. Uma era romena e outra brasileira (amiga da romena). O garçom com muita simpatia (leia-se: diz a lenda que garçom simpatico em Paris é especie rara) explicou-lhe como comer um prato. Lembro-me que neste dia estava com tanta fome que comprei um crepe no caminho. Chegando ao restaurante, não tinha vontade de comer. Dai, outra raridade: o garçom liberou que eu comesse o crepe na mesa com minhas amigas. Ele era engraçadissimo. Decidi voltar varias e varias vezes. Vira e mexe vou la.
Assim, este senhor acompanhou um periodo da minha vida. Ele olhava para mim e ria dependendo da companhia. Acho que ele deveria achar interessante os perfis dos meus amigos e conhecidos. Sim, eles são beeeeeeeem diferentes.
Levei uma vez um amigo que é um baita rabujento de tão reclamão. O garçom ria muito dele. Olhou para mim e disse "esse ai não é facil". Eu cai na gargalhada. Parece psicologo... No final, ele ajudou meu amigo a escolher uma salada bem bacana. O danado comeu que se regalou e... por meia hora parou de reclamar!
Quando o Eloi - ex-ministro da SEPPIR - teve aqui para fazer uma conferência na Sorbonne falei que ele teria que almoçar neste restaurante, pois era o da diversidade. Ele não pode ir, pois ja tinha almoço em outro lugar. Lembro-me que insisti para o grupo que estava com ele de almoçar la.
Ha uns quinze dias, fui jantar com outro amigo francês. Passamos um baita tempo conversando com o outro garçom que era tailandês. O rapaz super simpatico contou as aventuras de ser confudido com chinês e não saber o que responder. Contou-nos como gostava da França e se sentia bem aqui. Foram-se varias historias e varias historias.
Hoje fui jantar la com outro amigo. Sim, para mim é uma oportunidade de comer comida caseira, pois meus amigos aqui em Paris são jovens e não costumam cozinhar o tempo inteiro. Para ter uma idéia é como se eu estivesse no Brasil querendo comer uma feijoada.
Diante de tanta variedade do bairro, expliquei ao amigo porque eu gostava de ir la. Cheguei e o garçom me recebeu com dois beijinhos (na França??? em restaurante francês tradicional???) e escolheu um lugar bacana. Durante a conversa com este amigo, eu parava e ria sozinha. Então, explicava a razão: os comentarios do garçom com os clientes. Em um momento, faltou ar de tanto rir... Meu amigo vendo a cena também engatou o riso...
Na hora de ir embora, mais dois beijinhos, agradecimento do proprietario e fomos embora.
Cheguei em casa tranquila e não consegui ficar desesperada porque são quase 4h e não consigo dormir mais uma vez.
Pessoas como este garçom e tantas outras que a gente cruza na vida quando se mora em cidade grande como Paris compoem o mosaico da nossa existência. E, com certeza, irei la novamente com outros amigos. Espero que este senhor continue trazendo esta luz bacana que ele tem!


4 commentaires:
Um abraço pelo seu blog
Savarah!
Bacana seus depoimentos, suas vivências em Paris. Espero que continue atualizando o blog. É uma experiência que somente nos enriquece.
Abração!
Márcia amei seu blog.
Concordo que pessoas que passam pelas nossas vidas ( desconhecidas ou não) fazem parte do nosso viver, do nosso aprender.
Fiuei muito feliz em conhecer um pouco da França por uma brasileira.
Um grande abraço.
Boa semana
Beijos
Suéllen Nóbrega
Vá lá, divirta-se e manda a má disposição ás urtigas.
Visite:
www.batemtodos.blogspot.com
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