Monday, January 23, 2012

Porto Alegre

Hoje, vendo o ceu cinza de Paris, lembrei-me do apartamento de Porto Alegre no 17° andar da cidade com a vista para Guaiba. Lembro-me de ver a Rendenção pela janela do quarto e toda a movimentação da cidade.

Lembrei-me dos amigos, das festas e da levianidade que so dizia que a o grande compromisso era me encontrar. E a gente escutava essa musica antes de ir a UFRGS e cantarolava no Campus-Ipiranga as maravilhas da vida.

Foi no Brasil que eu aprendi a ser cosmopolita. Aprendi que conhecer outra cultura e agregar valores é positivo. Falo com o orgulho de ser colorada. Falo da saudades de tomar chimarrão.

Não precisei ir à Europa para descobrir "um mundo novo". O Brasil é suficientemente grande, diverso e rico.

Descobri a agricultura familiar indo comprar cereais no Mercado Publico. Descobri também quando pude estudar com filhos de pequenos agricultores na UFRGS. Em Pernambuco, conhecia os grandes proprietarios de terra que falavam mal do MST. No Sul, descobri que o dono do restaurante serve pratos e ainda lava-louça.

Em POA, aprendi como era bom poder caminhar pela cidade tranqüilamente e poder utilizar transporte publico de qualidade. Sim, aparentemente, falo dos tempos que a Lima e Silva e minha querida Cidade Baixa não havia sido tomada pela criminalidae. Era apenas a referência do Paralelo 30.

Lembro-me de quando tive que fazer vestibular e dos trozentos livros de cultura gauchesca tive que ler. Descobrindo assim, de pouquinho, a cultura e os valores. Lembro-me do meu choque de conhecer o que era uma Direita ultra-conservador e de uma Esquerda, que muitas vezes, era caviar como se fala aqui na França.

Foi em Porto Alegre que eu descobri que o mundo meu pais era diferente, que ser brasileir@ representava muito mais além de um Estado, do meu Estado e da minha cultura, de como é bom ser diferente. Foi conhecendo meu pais que eu me senti pronta também para "cair no mundo". Por isso, POA permitiu que eu encontrasse este meu "eu" cosmopolita que não tem medo nem vergonha de aceitar e de integrar a cultura alheia, que não tem medo nem vergonha de apresentar minha cultura e lembrar de onde eu venho. Este eu que não consegue tirar fotos e colocar em redes sociais, pois o mais importante de morar em um lugar, de viajar não é o que se ver, mas o que se sente, o que se leva e o que se traz.

Foi onde eu aprendi a fotografa na beira do Rio Guaiba, onde eu aprendi espanhol sonhando em viajar pela America Latina de bicicleta.

Ah, Porto Alegre, desta vez, quis lembrar de você de outra maneira. Agora, vou nessa, pois tenho que atravessar Paris como se atravessa a Oswaldo Aranha e se cruza o Parque Farroupilha.

Pois, preciso ir e me encontrar em uma aula de Geopolitica do Paquistão.



Preciso Me Encontrar
Cartola

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar

Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

http://youtu.be/fUjOfsoBhMY


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